Ano dois

Já se passaram dois anos desde que meu filho morreu, e é difícil acreditar que já passou muito tempo. Eu posso olhar para trás na maioria dos dias da minha vida e me lembrar um pouco de onde eu estava morando na época, com quem eu estava “pendurado”, com qual cara eu estava namorando. A maioria dos dias dentro do meu retrovisor está coberta de memórias que escolho colocar em um compartimento seguro. Eu poderia revisitá-los em uma conversa com um velho amigo ou voltar para mim quando uma certa música tocar no rádio. A única memória que é cristalina e pode reproduzir como um disco é aquela de dois anos atrás.

Não à ansiedade da sua mãe

Carregar o título de pai ou mãe é um privilégio indutor de ansiedade, mesmo para os indivíduos mais equilibrados e quimicamente equilibrados. O medo de ser responsável por um pequeno ser humano não exclui ninguém.

A paternidade está repleta de dúvidas de que você está tomando as decisões certas, de que não está fazendo o suficiente e teme que o pior aconteça. Não há pensamento mais obscuro do que o de que algo possa prejudicar seu filho e, no entanto, é algo que muitos pais involuntariamente admitem em suas cabeças diariamente. É quase como se o pensamento fosse um destino evolutivo concedido a nós.